Diana Freitas

Quem é Diana Freitas?

Pergunta difícil… A Diana é uma mulher de 28 anos, natural e residente no Porto. Viveu parte da sua infância em Luanda e já posteriormente, durante a faculdade, acabou por também chamar “casa” às cidades de Gotemburgo, na Suécia, e de Gent, na Bélgica. É uma mulher sociável e extrovertida, sincera, leal e genuína; muito espontânea, o que condiciona impaciência e impulsividade; é também metódica e perfeccionista, muito teimosa e demasiado crítica, sobretudo com ela própria. Nunca sai à rua sem maquilhagem, adora viajar, é louca por chocolate e não vive sem a sua playlist no seu iphone.

Consegues situar no tempo o teu interesse pela moda ? Como são os teus primeiros passos ?

Sim, lembro-me bem até porque comecei tarde. Tinha 19 anos, andava no 2º ano de faculdade, quando recebi um convite de um amigo para participar num casting para a Contraste Audiovisuais. Eramos 7 modelos e o projecto era engraçado… Chegamos a fazer uma sessão fotográfica de exterior, mas no final o trabalho acabou por não ser levado a cabo. Apesar disso, foi um início que me abriu outras portas e outros convites surgiram para outros trabalhos. No entanto, por alguma oposição do meu pai, algo receoso, o grande boom de trabalhos fotográficos só ocorreu aos meus 23 anos, altura em que terminei o meu curso e optei por me dedicar mais à fotografia.

Alguma vez sentiste que a modelo e a médica pudessem entrar em conflito?

Se dissesse que não estaria a mentir. A verdade é que já recusei alguns trabalhos fotográficos precisamente pelas repercussões que estes pudessem ter na minha actividade profissional. Falo sobretudo daqueles trabalhos que exigem uma maior exposição corporal, como os trabalhos de nu artístico ou lingerie… Não que os recrimine, pelo contrário, acho que existem trabalhos fantásticos! No entanto procuro sempre ter em conta a realidade sócio-cultural em que me insiro; tenho a certeza que perderia toda o respeito e a credibilidade junto da maioria dos meus doentes.

Qual era a proposta de sonho que se poderia fazer à Diana modelo?

Conforme referi, a fotografia só se torna possível na minha vida se for levada como um “hobbie”, pelo que é difícil responder a esta questão… Em todo o caso, toda a proposta nesta área que me possibilitasse viajar concomitantemente seria deveras aliciante.

E à Diana médica?

Da maneira como os médicos estão a ser tratados no nosso país, sinceramente já me dou por contente se conseguir uma vaga hospitalar quando terminar o meu internato, com horas extra e suplementos nocturnos adequadamente remunerados e, claro, o direito a gozar folgas pelos fins de semana e feriados em que esteja de serviço. Não me parece que esteja a pedir mais do que aquilo que é justo mas, ainda assim, se o tiver, já será um sonho face ao panorama actual.

No teu dia a dia encontramos uma mulher preocupada com a moda ?

Não tanto como eu gostaria… Tenho muita roupa no armário, é certo… No entanto, gosto de me sentir confortável enquanto trabalho, de modo que abdico dos tacões e das saias e dou preferência aos jeans… se pudesse ia todos os dias trabalhar de pijama.

Tempos livres tens ? Como os ocupas ?

Não, na verdade o tempo livre é muito escasso. O pouco que existe é para fotografar, fazer exercício, estudar e pouco mais.

Qual a tua opinião sobre o projecto Amol Magazine ?

Sem dúvida um projecto diferente e inovador. Não se trata de uma revista masculina ou feminina, mas antes de uma revista voltada para as várias vertentes culturais, ocupando a fotografia um lugar de destaque. Gosto particularmente das ideias “World Models” e “New Face”, na medida em que vai lançando novos rostos.

Foi difícil trabalhar connosco ? Voltavas ?

Voltava, sem dúvida. Diverti-me muito a fazer esta sessão, desde a grinalda de flores às madeixas loucas, da peruca azul aos óculos psicadélicos… Sem dúvida algo muito, muito diferente do meu registo! A equipa foi 5 estrelas e o clima que se gerou durante a sessão foi óptimo!

Que pergunta nos esquecemos de fazer ?

Eu é que tenho uma pergunta para vos fazer: “O estúdio continua a brilhar, tal qual como eu o deixei depois de ter passado o aspirador?”

Moda e fotografia estão longe de ser a tua atividade principal. Qual é a tua relação com este mundo e como concilias a modelo e a profissional?

É verdade, sou médica e considero-me uma felizarda pois sou completamente apaixonada pela minha profissão; não há nada melhor do que fazermos aquilo que realmente gostamos. A medicina é, por si só, uma profissão muito exigente em termos de tempo: não somos médicos apenas no trabalho, somos também sempre os “médicos-bombeiros” lá de casa, aqueles que “apagam os fogos” aos nossos familiares e amigos; para além disso, temos um horário de 40h semanais que nunca é cumprido: saímos diariamente bem mais tarde do que a hora estipulada de saída, ficando no hospital por nossa conta e risco, porque essas horas não nos são pagas, para resolver aqueles problemas mais urgentes dos nossos doentes; levamos ainda, diariamente, os nossos doentes “connosco para casa”, ou seja, vamos para casa pensar como vamos resolver este ou aquele caso mais difícil, vamos estudar, ler artigos… e isto é sobretudo verdade para os médicos mais novos, a fazer o internato de especialidade, que é o meu caso, em que ainda não abarcamos todo o conhecimento nem toda a experiência que caracteriza um médico especialista. Com isto quero dizer que, apesar de também gostar muito da área da fotografia, esta acaba sempre por cair para segundo plano, representando, no fundo, quase um hobbie, sendo esta a única forma de conseguir conciliar ambas as actividades. Claro está, dependo também sempre da boa vontade e da compreensão dos fotógrafos / revistas, que acabam por agendar as sessões fotográficas para horários compatíveis com os meus, ainda que tenhamos de trabalhar aos fins de semana e aos feriados, como é o caso deste trabalho para a Amol, em que toda uma equipa veio trabalhar em plena Sexta-feira Santa. Não é fácil…

A tua relação com a câmara é fácil, quase diria intuitiva. Em que pensas quando fotografas ?

Nunca tinha pensado nisso… Habitualmente gosto de saber o que se espera de mim numa sessão em particular, de modo a poder “vestir” a personagem e focar o meu pensamento nela. Isto é muitas vezes difícil nas sessões em estúdio, em que mudamos várias vezes de look e nunca sabemos em que fundo a imagem vai ser inserida… Já nas sessões de exterior, a coisa torna-se bem mais fácil, uma vez que os nossos sentidos estão despertos para o meio que nos rodeia, de modo que conseguimos imaginar como a fotografia vai ficar e rapidamente compreendemos qual o rumo que a sessão está a tomar e o que se espera de nós. No geral, considero que um ambiente agradável e relaxado entre a modelo e a equipa é essencial para que se consiga uma boa interacção com a câmara e que daí advenham boas fotos.

Respostas com uma só palavra:

Cor ?
Azul

Carro ?
Giulietta

Prato ?
Pasta

Mulher ?
Marilyn Monroe

Bebida ?
Guaraná

Homem ?
Clark Gable

Música ?
Yellow (Coldplay)

Sexo ?
Seguro

Animal ?
Girafa