Pedro Cabral

Américo Dias, 1953-2014

Américo Dias nasceu a 4 de junho de 1953. Tinha acabado de fazer 61 anos. Licenciado em Filologia Germânica, foi professor de Inglês uma grande parte da sua vida. Nos últimos anos, dava aulas na Escola Superior de Educação do Porto e influenciou muitos dos agora/futuros professores de Inglês. Nunca quis ser “somente” professor e, desde cedo, se envolveu em muitas atividades/projetos ligados ao ensino da Língua Inglesa. Foi autor de manuais para o 5º e 6º anos e também de um manual para o 1º ciclo, quando o Inglês era ainda quase uma miragem neste ciclo de ensino.

Escreveu também, em parceria com Sandie Mourão, um livro de metodologia para os professores que lecionavam este nível de ensino. Há muitos anos, ligado à APPI – Associação Portuguesa de Professores de Inglês, participava regularmente nos congressos anuais da associação e era formador de professores de Inglês do 1º ciclo. Foi, no início da sua carreira, orientador de estágio e, mais tarde, Presidente do Conselho Executivo da Escola Básica de 2º e 3º ciclos Professor Leonardo Coimbra, no Porto. Sendo uma escola inserida num meio difícil, com alunos e famílias complicadas, aceitou o desafio, amplamente conseguido, de transformar a escola e os seus intervenientes diretos, os alunos, num espaço de aprendizagem e de afetos.

Apesar de tímido, aparentemente low profile, tinha um lado irreverente e um sentido de humor fabuloso. Era uma pessoa fascinante, de uma imensa sensibilidade e humanidade. Era aquele tipo de pessoa que não deixava ninguém indiferente; de quem se gostava muito ou detestava. Não havia meio termo nos sentimentos para com ele. Porque era incómodo, porque muitas vezes fez abanar as estruturas e o poder de quem estava instalado, nem sempre teve colegas e chefias do Ministério do seu lado. Mas também teve sempre um clube de fãs enorme. Porque era doce no trato (nunca gritava ou sequer falava muito alto) e de muitos de abraços, angariou sempre o respeito, a simpatia e a amizade de alunos e colegas de profissão. O gosto pela fotografia sempre fez parte da sua vida. Talvez por isso, por ser de signo Gémeos (ou não) com a inquietude e a vontade de ser diferentes pessoas, fez com que nascesse o Pedro Cabral, o seu alter ego há uns anos a esta parte. Era fotógrafo e fotografava essencialmente aspirantes a modelos e ajudou a construir o sonho de muitas mulheres. Participava também ativamente nesta mesma revista, Amol, à qual dedicava muito do seu trabalho. Participou ainda num programa de televisão, sobre fotografia, no canal de televisão MVM.  Como não tinha página dele, Américo, nos últimos tempos colocava na página no Facebook (Pedro Cabral) também os seus desabafos em relação ao país, à crise e aos desvarios do governo. A música também fez sempre parte da sua vida. Os Beatles sempre foram imortais, mas a música brasileira, Bethânia, Chico Buarque, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, e os cantores portugueses de intervenção, José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, entre outros sempre fizeram parte da sua banda sonora. Também gostava muito de escrever e publicou, em 2000, “Nas ruelas da má fama”, um livro de crónicas romanceadas sobre a vida dos professores e das escolas. Escreveu também pequenos contos e poesia, que nunca foram publicados. Vinícius de Moraes era o seu Poeta.  E é com um poema de Vinícius, que tão bem descreve o tempo e o modo do Américo Dias/Pedro Cabral que dizemos:

Até sempre!


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço
Meu tempo é quando.


Condolências

Dedico algumas palavras ao meu amigo Pedro Cabral e ao Américo Dias, uma pessoa, duas identidades, um amigo Começo por dizer que, o Pedro Cabral e o Américo Dias não eram muito diferentes. Dos muitos desabafos e conversas, percebi que, tanto o Américo como o Pedro eram pessoas extremamente dedicadas e trabalhadoras. Em qualquer projeto, eram reverenciados, pelo trabalho e como sendo excelente amigos e colegas. Curiosamente, ambos, foram sólidos pilares para os que os rodeavam. A minha relação com o Pedro começou quando o procurei para aprender mais sobre fotografia, partilhávamos os mesmos interesses, dai talvez a nossa empatia. Nos interesses sempre constantes do Américo, estavam, a família, a carreira de professor, os colegas, a universidade, etc…  Para o Pedro, sempre lhe tocou o projeto Amol, a fotografia, o mundo da moda, de tal forma que dedicava tempo e dinheiro para que o projeto existisse. Em uma oportunidade, o Pedro convidou-me para o acompanhar neste desafio, com orgulho aceitei, porque gostava de trabalhar com ele, praticamente sem conhecer o projeto. A revista evoluiu bastante desde esse tempo, mais de 50 edições nos separam desse momento. Agora, num momento em que o Pedro sentia grande orgulho do projeto, da mesma forma que o Alfredo, o fundador da revista, o Pedro foi vítima de algo inevitável, a sua morte. No entanto, para pessoas assim, carismáticas, trabalhadoras, interessantes…, a morte não é o fim, pois o trabalho que estes nos deixam representa quem foram em vida. Sinto saudades dos puxões de orelhas, dos conselhos experientes, do ouvido amigo, do amigo para as conversas, do colega de trabalho, de ti… Jamais serás esquecido amigo, com uma profunda nota de tristeza, que, te deixo, este final, adeus.

Até ao nosso reencontro.

-Tiago Silva.

Até para o mais letrado e mágico em palavras, este momento torna-se a mais difícil e cruel tarefa. Os nossos caminhos cruzaram-se no backstage do mundo televisivo. Ali conheci, o homem, o profissional, mas acima de tudo o amigo e o ser humano que guardo no meu coração. Com o projeto Amol Magazine, cresceu e fez crescer outros tantos. Foi uma honra partilhar vida com alguém tão inteligente, humilde justo. Vamos sempre recordar-te com um sorriso no rosto e um coração orgulhoso pelo presente que a vida nos ofereceu. Os verdadeiros heróis jamais morreram, pois nunca são esquecidos. Saudades.

Obrigado,

-Miguel Ribeiro.

Gostaria imenso de deixar algumas palavras do nosso querido amigo e excelente profissional…. Conhecia o Pedro desde 2006, mais que um fotógrafo e exemplar profissional era um amigo, que esteve sempre presente e sempre me deu palavras de apoio, e conforto…. Foi com enorme tristeza que domingo, 9 de junho me despedi dele pela última vez… E mesmo vi-o ali deitado não parecia real! Espero que a Amol continue com o excelente trabalho em memória de Pedro!! Magazine, mas principalmente da sua palavra amiga transcendente aos outros aspetos da minha vida.
Adeus Pedro, obrigada por tudo!

-Verónica Ferreira.

Vítima de morte súbita na passada sexta feira, o nosso colega Américo Dias, membro da Assembleia Geral, formador e amigo da APPI, deixou de estar entre nós. Com profunda tristeza, deixamos-lhe aqui um tributo ao profissionalismo e amizade que sempre demonstrou. Até sempre Américo e obrigado.

-Associação Portuguesa de Professores de Inglês.

https://www.facebook.com/APPIngles

Ao Américo Dias, aquilo que ficou por dizer: A tua amizade foi sempre refrescante e verde. Como se a juventude não estivesse limitada a um tempo próprio. Como se a generosidade mantivesse toda a inocência. Como se todas as lutas fossem românticas. Como se todos os segredos partilhados fossem enormes. Por isso me custa, por isso nos custa seguir em frente. Levamos tanto de ti, e parece-nos tão pouco! Tu não morres em nós. Nós é que morremos um pouco ao pressentir a tua ausência. A nossa vontade era poder voltar atrás, e mudar o rumo inexorável das coisas. Pudéramos nós reverter a reta do tempo! Soubéramos nós ler os sinais breves do teu sofrimento discreto! Tivéramos nós na nossa mão o gesto curativo, E que perfeito coração, No teu peito bateria.

-Carlos Monteiro.

Termino, como terminávamos habitualmente: um abraço apertadinho!

Como eu te quero recordar: maroto e feliz!

-Cândida Neves Couto.

Olá, Pedro. O Tiago pediu-me que escrevesse um texto onde falasse de si, da perspetiva que tinha de si. Foi ele que me deu a notícia. Ao princípio não estava a perceber muito bem. Não nos educaram para perder; educaram-nos sempre para ganhar. Não tive sequer oportunidade de despedir-me de si. Pouco tempo antes tínhamos falado ao telefone, tudo parecia bem. E de repente… As lágrimas são inevitáveis, mas sabe Pedro, eu acredito que a melhor forma de se prestar homenagem a alguém de quem se gosta é dar continuidade suas às ideias, aos valores, às causas, ÀS ALEGRIAS. A AMOL Magazine é uma dessas causas e é simplesmente incrível perceber que depois de tanto tempo ela continua viva – e assim continuará. A AMOL é a prova mais evidente da sua enorme capacidade, dedicação e resiliência, Pedro: não tenho dúvidas de que esta publicação espelha e espelhará sempre a motivação e forte determinação que guiavam um homem como o Pedro. Brilho! Alma! Estes nunca morrem. Acredito que todas as vidas podem ensinar algo às outras vidas. Que todos os seres humanos têm algo a ensinar uns aos outros. Aprendi consigo que a determinação supera todos os obstáculos e de que, no mundo em que vivemos onde o dinheiro parece comprar tudo, mesmo sem cobrar 1 cêntimo é possível oferecer conteúdos de qualidade, com profissionalismo e compromisso a milhares de pessoas, pelo simples prazer de o fazer. Quantos de nós poderemos gabar-nos disso? Esteja onde estiver, quero que saiba que serei eternamente grato por esta aprendizagem e por todas as outras que tive enquanto parte da AMOL Magazine – e foram tantas. Obrigado pelo dia em que me convidou para construir este projeto. Infelizmente, não tive tempo de lhe agradecer pessoalmente…

Um abraço forte e até sempre,

-Miguel Meira.

É com muita tristeza que vi partir o Pedro. Apesar da relação restrita à colaboração com a Amol, cedo se mostrou uma pessoa preocupada com o bem-estar dos seus colaboradores para além dos “muros” da revista.  O Pedro era a alma da Amol mas, apesar das dificuldades que iremos encontrar, de tudo farei para continuar este projeto. Há 3 anos o Pedro deu-me a oportunidade de mostrar o meu trabalho numa entrevista que me fez sentir valorizada como criadora e é desde janeiro de 2012 que, nomeada editora de moda da Amol Magazine por ele, tenho crescido em todos os sentidos com os seus concelhos e sugestões. Vou sentir muito a sua falta, tanto nas colaborações fotográficas e escritas para a Amol Magazine, mas principalmente da sua palavra amiga transcendente aos outros aspetos da minha vida.

Adeus Pedro,

Obrigada por tudo!

-Florisa Nogueira.

Nesta última homenagem há tanto por dizer e tão pouco espaço para o descrever. Amigo onde quer que estejas quero-te dizer que foste e serás sempre o meu fotógrafo de eleição. Foste tu que me fotografaste a primeira vez para uma capa. Devo-te tanto!!!Ficou tanta coisa por fazer, por dizer…. Obrigada por tudo o que fizeste por mim, pelos conselhos, pelas dádivas, pelo apoio, mas acima de tudo pela AMIZADE !!!Amigos vem, amigos se vão. Mas os verdadeiros amigos, nem mesmo a morte os afasta de nós. São eternos e incondicionais.

-Lili Lopes.

Today I write to you for the saddest of all possible reasons with many a tear in my eyes and heart. I feel that I need to share the joy and friendship that I personally had with Américo with you all. He was far more than a colleague to me, he was above all a dear friend: someone who always believed in me and guided me to challenge myself further and to continue fighting to help all our children learn English regardless of who they were, where they lived or which school they went to. He always had a willing ear and heart no matter what or when. He was also an unconditional lover of photography, continuously sharing his vision of the world through a lens with us at his expositions helping us to see things from another angle and light. About how we will miss those moments when we would get together to see his work and chat away about everything, anything and nothing at all but the joy of being together again. I know that he will be deeply missed by us all but long remembered in our hearts. I hope that we will be able to do him justice by continuing to fight for the causes that he so believed in. And so with a heavy heart and a lack of words I leave you today.

Big hug.

-Vanessa Esteves.

Passou uma semana…. Consigo falar no Américo já com alguns sorrisos de momentos partilhados. Ao longo destes dias, tenho-o encontrado em diferentes encruzilhadas da vida: na música, na poesia, nas palavras, nas fotos, no trabalho, nas memórias, sei que o irei encontrar sempre porque um amigo é para sempre e nós prometemos que assim seria. Desta vez partilho com os seus amigos e com ele a música através do seu grupo de eleição: os Beatles. Despeço-me, por hoje, com a certeza que ele desejava ver todos a quem queria bem, felizes.

-Miguel Coutinho.

Até sempre.